domingo, 17 de setembro de 2017

Sílaba a sílaba



Tento criar beleza às silabas. Devagar. Lentamente.

É o que deixo de fortuna.

É o que fica de minha herança, a tentativa de dar amor às palavras, como se duas palavras, fossem duas bocas ou dois peitos, que se pudessem beijar ou abraçar.

Em boa verdade conseguem-no.

Não posso escrever bonito ou demasiado feio.

Posso meramente criar beleza em silabas desobedientes de acção.

Posso até falhar como homem, mas se der liberdade às palavras que me habitam, está tudo bem no meu coração, atendi-o.